Vida em comunidade proposta por Baden-Powell no século passado ainda cativa adolescentes e jovens dos anos 2000. No Paraná, são quase 7 mil associados

Fac-símile do artigo de 15/11/2012 | 22h10 | Raphael Marchiori
Texto publicado na edição impressa de 16 de novembro de 2012

Menção do GESLG na Gazeta do PovoEscoteiro de uma vez para sempre

Jan Oliver Falce Hoffmann (foto), 21 anos, ingressou no escotismo há 13 anos, no ramo “lobinho”. Já deixou de ser membro-juvenil, mas não abandonou o movimento. “Sou chefe assistente de escoteiros de 10 a 14 anos. Ajudo-os a lidar com conflitos internos e os incentivo a buscar o progresso pessoal”, diz. Seu aprendizado, conta, foi muito além das mais de 20 formas de fazer os famosos “nós”. Das centenas de campings nos quais participou, de um não esquece. Em 2007, Hoffmann esteve no “Jamboree”, acampamento mundial, realizado então na Inglaterra.

Na era dos tablets, videogames e afins, o escotismo, prática iniciada no início do século passado, ainda atrai milhares de jovens paranaenses. São mais de 90 grupos espalhados pelo Paraná. Juntos, somam 6.686 associados no estado, sendo 38% mulheres. Em todo o país, de acordo com a União dos Escoteiros do Brasil (UEB), são mais de 80 mil escoteiros espalhados por 1.150 grupos.

Infográfico do Escotismo no ParanáAs unidades funcionam como famílias que buscam dar autonomia aos seus filhos e ensiná-los a viver em comunidade. Para tanto, diferente do que se imagina, não é necessário um grande esforço financeiro. De acordo com a regional paranaense da UEB, as mensalidades variam de R$ 20 a R$ 70 e as atividades extras, cobradas à parte, são das mais variadas.

“Fazemos atividades em chácaras e fazendas próximas a Curitiba. As práticas de aventura, com os maiores, são mais comuns na Serra do Mar, como no Pico Paraná, Conjunto Ma­­rumbi, Morro do Anhangava e no Rio Nhun­­diaquara”, conta Cíntia Mara Sandrini de Lima, presidente do grupo escoteiro curitibano São Luis Gonzaga.
Os escoteiros são separados em quatro ramos tradicionais: lobinho (6,5 a 10 anos), escoteiro (11 a 14), sênior (15 a 17) e pioneiro (18 a 21). Não há divisão por gênero.

Desde cedo, a conquista da autonomia é trabalhada entre os participantes. “Escotismo é um movimento educativo por meio de atividades que os jovens gostam e que contribuem para sua formação. Quando levamos um jovem a um acampamento, temos instrumentos para que ele assuma responsabilidades e tome decisões”, afirma Luiz Cesar de Simas Horn, gerente de métodos educativos da UEB.

A ascensão dentro dos grupos de escoteiros é medida por meio de um sistema de progressão. “São pequenas tarefas. Eles vão adquirindo conhecimento e, com isso, recebem condecorações. Já para os adultos, a progressão é por meio da realização de cursos”, explica Cíntia Mara Sandrini de Lima.

Além dos grupos independentes, o movimento é difundido pelo governo por meio do projeto “Escotismo na Escola” – fruto de uma parceria entre a Secretaria da Educação e seção Paraná da União dos Escoteiros do Brasil. O programa prevê a implantação gradativa de grupos de escotismo em escolas estaduais. Até agosto deste ano, dois grupos já haviam sido criados com a adesão de mais de 80 alunos.

No coletivo

Núcleos escoteiros funcionam como clube administrado pelos próprios membros

Para participar do escotismo, não é necessário um grande investimento financeiro. “Quase a totalidade dos grupos funciona como um clube. Os pais elegem os diretores e assumem a maioria das funções”, explica Luiz Cesar de Simas Horn, da União dos Escoteiros do Brasil.

Fundado em 1907 pelo inglês Baden-Powell, o escotismo foi trazido ao Brasil três anos depois por oficiais da Marinha. A fundação oficial ocorreu no Centro de Boys Scouts do Brasil, no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1910.

Horn admite que o movimento precisou se readaptar para atrair novos jovens. “Tivemos uma pequena retração no começo da década passada. Em 2007, chegamos a ter 50 mil associados. Mas voltamos a crescer, adequando nossas atividades aos interesses dos jovens de hoje”, diz Horn.